Jean Charles de Menezes


O título é bem claro sobre o que eu vou falar.
Este trágico acontecimento deixou-me assustada na época, lembro de ter visto nos jornais, mas como é de hábito humano, este caso como milhares de outros acabam esquecidos. Quando isto aconteceu, confesso que já admirava os países da Europa e na minha adolescência, imaginava a viajar muito pelo mundo. Jean foi Filipe, Marcio, Júnior e milhares de Antonios e Josés que eu conheço fora do Brasil. Não afirmo que os interesses de todos eles sejam os mesmos quando deixam o seu país de origem. Há quem queira juntar uma "grana" e investir em algo no Brasil, há aqueles que desejam começar do zero e portanto, acham que a distância é uma boa ajuda. E há outros que simplesmente querem viver fora.. ficar rico, ficar pobre... pagar IRS, perder o metro, ir à discoteca na sexta à noite, ser contratado, ser despedido.. Enfim, decidem viver aqui ( eu me enquadro no terceiro exemplo). 
Não sei as razões pelas quais o Jean permanecia em Londres por 3 anos, mas ponderando sobre as palavras da prima dele, a qual dividia um apartamento com o mesmo, ele era cheio de sonhos, talvez por ter vindo de um lugar com condições menos favoráveis do Brasil, ou por motivos que eu desconheço, ele decidiu mudar de País e acrescento que nem sempre é fácil uma adptação com normas e leis tão diferentes do nosso.
Segundo eu sei ( fato admitido pela policia londrina) ele portava-se correctamente frente às leis do país. Tinha um visto válido para lá estar, um emprego que lhe permitia pagar suas despesas e no dia do CRIME, comprou 1 bilhete para andar no metro, diferente de pessoas que se arriscam a pular as catracas do metro, tudo para não disponibilizar de alguns cêntimos. Pois bem, diferente do publicado pela impressa, ele agia normalmente no dia do episódio... Que terrorista vai caminhando tranquilamente numa estação de metro... apanha um jornal para ler durante a viagem ainda por cima? Eu não vou negar que as coincidências entre ele e o real terrorista eram muitas, a mesma idade, pareciam um pouco e o pior: moravam no mesmo conjunto de prédios! Mas quem um dia não encontrou alguém parecido com outra pessoa? O policial por exemplo que sentou ao lado do Jean no metro, parecia mais com o terrorista do que o Jean.
O certo é que o dia não estava favorável para ele. Acorda atrasado, um grupo de policiais mal preparados com uma foto impossível de se reconhecer alguém em mãos, supõe que ele seja o terrorista procurado. A partir daí, está sendo seguido sem nem imaginar. Jean entra no ônibus, talvez estivesse a pensar no que faria ao resto do dia, talvez cantarolava uma música, mas o policial pode ter achado que ele estava inquieto: é ele o terrorista. Desce do ónibus, e vai apanhar o metro, mas então lembra que desceu na paragem errada, volta novamente a apanhar outro transporte, os policias comunicam achando que ele fez isso para despistar, para que eles perdessem-o de vista. O terrorista é ele, só pode ser. Enfim, lá está ele no metro. Acho que não é preciso eu narrar detalhes do acontecido, faz-se desnecessário frente ao que eu quero falar. E então matam o SUPOSTO terrorista de forma brutal, como no Rio de Janeiro, em São Paulo ou Salvador.
Em Roma ( salvo engano), Handi é reconhecido e capturado de forma pacífica, sem que fosse preciso nenhum tipo de violência física, o mesmo não ofereceu resistência e desta vez os policias não chegaram atirando... Será que o perguntaram: Ei, você é o terrorista que procuramos? e ele disse: sim, sou eu...
Muito bem, 8 tiros, um dinheiro qualquer para sua família do interior e adeus Jean. Justiça? Termino nas palavras do nosso querido Renato Russo:" Quem me dera ao menos uma vez ter de volta todo ouro que entreguei a quem conseguiu me convencer que era prova de amizade se alguém levasse embora até o que eu não tinha".

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